quinta-feira, 8 de julho de 2010

CONGRESSOS

As realizações da SOTER nestes vinte anos oferecem conotações bem concretas de onde se podem colher as preocupações temáticas que ocuparam a associação neste período. Os temas, normalmente escolhidos em assembléia mostram as conjunturas de cada época e ao mesmo tempo as opções feitas pelo grupo, suas tendências e interesses. Aos eventos de participação nacional se somariam ainda as iniciativas regionais que também foram numerosas e expressivas neste sentido, mas cuja relação não tivemos meios de levantar. Vejamos a relação temática dos encontros e congressos realizados:
1985 (25-28 de julho): encontro de teologia e fundação da SOTER.
1986: A Igreja Povo de Deus.
1987: Desafios da mentalidade moderna à fé cristã numa visão prospectiva.
1988: América Latina: 500 anos de Evangelização.
1989: Mística e Política.
1990: Evangelização e culturas.
1991: 25 anos de Teologia Latino-americana: uma visão prospectiva.
1992: Santo Domingo e os 500 anos.
1994: Evangelização e Inculturação.
1996: Teologia e novos paradigmas.
1998: Experiência religiosa: risco ou aventura?
1999: Mysterium Creationis - um olhar interdisciplinar sobre o Universo.
2000: Teologia na América Latina: prospectivas.
2001: Práticas sociais, modelos de sociedade e pensar teológico.
2002: Gênero/Teologia Feminista: interpelações e perspectivas para a Teologia.
2003: Cristianismo na América Latina e no Caribe: trajetórias, diagnósticos e prospectivas.
2004: Corporeidade e Teologia.
2005: Teologia e Sociedade: relevância e funções.

Em cada um destes eventos, com duração média de três dias, estão supostos naturalmente os desdobramentos em conferências, painéis, mesas redondas e comunicações. As publicações que acompanharam os eventos registram em grande parte os conteúdos apresentados, embora não consigam espelhar a densidade dos debates. Sem entrar em tantos detalhes, mas ao mesmo tempo aproveitando a memória da participação nestes eventos, chamamos a atenção para os seguintes pontos:
a) Pode-se notar, pelo conjunto dos temas dos congressos, um forte investimento em balanços e análises globais, mostrando preocupação com tendências e perspectivas (1988; 1991; 2000; 2003). As análises históricas mostram um interesse e uma preocupação pela memória, certamente como recurso para não se perderem os rumos diante de novas perspectivas.
b) Nota-se também uma passagem de temas com perfil mais nitidamente eclesial (Igreja Povo de Deus) para as questões que vêm das mudanças culturais. Os enfoques culturais são tomados inicialmente por uma referência étnica, associando a cultura com a evangelização; mas se deslocam em seguida para uma percepção da mudança cultural por uma referência científica e tecnológica. Levam em seguida a interrogações teóricas e às questões que derivam das práticas de vida da sociedade (pós) moderna.
c) Permeia entre estes temas uma constante preocupação epistemológica, talvez com mais incidência para a teologia do que para as ciências da religião. Não se trata simplesmente do desafio de entender os novos tempos, mas se coloca a questão sobre o modo de proceder na construção das fundamentações, quando parecem exatamente mudar os próprios paradigmas da compreensão.
d) Deve-se perceber, por fim, também a importante questão da identidade de quem faz teologia e ciências da religião. De modo geral, pode-se dizer que seu discurso deixa o ambiente exclusivamente eclesial para se colocar em sociedade. Esta passagem traz naturalmente interrogações sobre a identidade das pessoas e de seus discursos. O tema em pauta, sobre a relevância e as funções da teologia na sociedade, parece carregar bastante esta preocupação.

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